Como está o Cine Dunas na pandemia?


Cine Dunas, na avenida Rio Grande, Cassino (RS). Foto tirada em 2019.


Muitas coisas andam nos preocupando em razão da pandemia: como será a nossa vida daqui para a frente; a nossa saúde e a de amigos/as e familiares; até quando vamos conseguir manter os nossos empregos; entre outros. E no meio de tantas incertezas, a saudade de voltar a nossa vida normal - cada qual com a sua rotina - como ir até o Cine Dunas assistir a um filminho.... e, por falar nisso, como anda o Cine Dunas?


Para quem não conhece, o Cine Dunas é o único cinema de rua da cidade do Rio Grande (RS) - segundo Cleyton Martins, um dos/as proprietários/as, é também uns dos raríssimos cinemas de praia do Brasil. E para além desses importantes títulos, talvez, o maior: um dos empreendimentos culturais mais queridos do bairro onde se localiza, o Cassino.


Para sanar a dúvida, entrei em contato com a Janete Jarczeski , também proprietária. As duas figuras, Cleyton e Janete, são como dois/duas "artistas badalados/as" caminhando pela avenida do bairro - não tem uma pessoa que não os/as parem para cumprimentar ou perguntar qual é a programação da semana. Entretanto, com o isolamento social, não encontramos mais a dupla pelas ruas, muito menos atrás do balcão do Cine Dunas. Por isso, a abordagem, dessa vez, foi feita pelo telefone mesmo.


Janete me informou que passam bem, porém com o cinema desativado desde março: "Acreditamos ser a medida correta evitar aglomerações nesse período de pandemia. Ainda mais com o preocupante crescimento dos casos da COVID-19 em nosso país, estado e município. Nós, o Cine Dunas, estamos tendo mais uma vez o apoio da comunidade. As pessoas aderiram ao Cine Clube e graças a essa arrecadação estamos nos mantendo com as despesas mínimas mensais, além disso, aguardamos, assim como toda a classe ligada à arte, o recurso da Lei Aldir Blanc".


A lei que menciona Janete foi, surpreendemente na atual conjuntura, aprovada com unanimidade pelo Congresso e sancionada pelo executivo federal como Emergência Cultural. Serão R$ 3 bilhões a serem transferidos para municípios, estados e distrito federal como Medida Provisória de 9/7/2020. Gestores/as de cultura de todo país ja começam a se organizar para a possibilidade de manejar o fundo de acordo com as suas demandas.


Janete e Cleyton, como outros/as trabalhadores/as do setor, aguardam a regulamentação para essa oportunidade que pode vir a ser a salvaguarda de muitos espaços, eventos e artistas no atual contexto de crise. Num momento em que perdemos tanto e estamos tão frágeis, reféns de imenso desgoverno, tal conquista deve ser acompanhada de perto e ser motivo de mobilização da classe.


Enquanto isso não se concretiza, Janete comenta que é preciso aguardar o avanço da pandemia para depois pensar em protocolos seguros de retorno gradual. Com relação a movimentos virtuais do cinema, ela explica que já chegaram a buscar informações, porém: "De momento, é algo que ainda não pensamos em aderir".


Poucos exibidores aderiram a sessões online. De acordo com a matéria de Juliana Domingos de Lima, publicada no Nexo Jornal, alguns cinemas criaram parcerias com distribuidoras para utilizar serviços de streaming "cobrando dos espectadores um valor mais baixo do que o de um ingresso normal para continuar exibindo filmes e gerar alguma receita". Outros ainda buscaram estratégias diferentes, como a venda dos produtos de suas bombonieres pelo e-commerce.


Já o Cine Dunas conta com o "Cine Clube Dunas" para resistir. Neste momento, segundo a proprietária, as inscrições oscilam e o ideal é alcançar a marca de 50 adesões. Para quem ainda não conhece a proposta, a contribuição é de R$50 reais mensais, valendo 6 ingressos para uso posterior, ao fim da pandemia. Para associar-se, basta entrar em contato pelo telefone (53) 99136-3514. Outras informações no perfil do Facebook do cinema.


Para usar as palavras da propria Janete, "sabemos que não está fácil para ninguém", mas para quem tem interesse e possibilidade, vale muito pensar em colaborar. Manter a esperança de que vamos voltar a frequentar a sala de cinema do Cine Dunas como algo quase corriqueiro em nossas vidas, pode fazer um bem danado para a cabeça. Afinal - e essa frase não poderia faltar - "Nós e o Cassino merecemos!".


Para quem está com saudade ou ainda não ouviu falar desse cinema tão querido, segue abaixo uma montagem que fizemos com imagens gravadas no contexto de um trabalho textual, com os equipamentos que estavam a mão no dia da conversa, antes da pandemia - a ideia é retomar o projeto de documentario sobre o Cine Dunas no futuro.

Quem sabe, antes do que a gente imagina...




Rachel Hidalgo

Jornalista e produtora audiovisual

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