Doc "Eu sou pescadora" compõe conteúdo de curso na FURG


No final de 2019, demos início às gravações do documentário "Eu sou pescadora" na Ilha dos Marinheiros em Rio Grande (RS). A proposta surgiu do trabalho com o Laboratorio Maress - Mapeamento em Ambientes, Resistência, Sociedade e Solidariedade, da FURG São Lourenço, por meio de seu projeto Impactos na Pesca.


O filme, que conta também com algumas imagens captadas por produtora parceira no Rio de Janeiro, apresenta mulheres do litoral carioca e riograndino que atuam na cadeia produtiva da pesca, seus enfrentamentos na participação política relacionada ao seu ofício, a necessidade de reconhecimento entre seus pares e nas esferas institucionais, e outras discussões apontadas por pesquisadoras que acompanham o conflito existente nas populações pesqueiras artesanais.


O documentário, com 26 minutos de duração, esta disponível online neste site, na página eletrônica do Maréss e, agora, figura também entre os conteúdos de apoio do curso EaD ministrado pela Universidade Federal do Rio Grande, intitulado "Participação Política das Mulheres na Política Ambiental", oferecido por meio do projeto Formação Continuada para Gestores Ambientais no Contexto do Licenciamento Ambiental Municipal - LAM.


O envolvimento nessa produção foi tão intenso e provocante para mim que, depois de conhecer de perto a atuação politica de pescadoras como a Vivi Alves, passei a pensar, ainda que tardiamente, o quanto a questão de gênero tem influência no desenvolvimento e na recepção da minha produção acadêmica e profissional. É difícil dizer mas, por mais que seja eu também uma mulher, na hora de pensar os/as interlocutores/as, quem eu escolho? Em outras palavras, em nome de quais outros/as pensadores/as eu falo quando quero comprovar o meu trabalho? Será que eu tenho colaborado para inserir a mim mesma numa posição de subordinação? ...os filmes nos causam esse tipo de transtorno, ter que revisar nossas bases.


Por esse motivo, na companhia das colegas me. Ana Lucia Ruiz Goulart (FURG) e prof. dr. Rita Silvana Santana dos Santos (UnB), estamos iniciando pesquisa que irá observar, por exemplo, a disparidade entre o número de mulheres no campo da Educação Ambiental no Brasil, na posição de docentes e autoras de inúmeros trabalhos acadêmicos; e os referenciais teóricos mais utilizados em periódicos, dissertações e teses da área, armazenados nos bancos de dados online. O breve diagnóstico que fizemos para começar a testar tal hipótese ja apresenta dados bem preocupantes.


Logo comento mais sobre esse trabalho que esta só começando e vem cheio de outras produções relacionadas. Sobre a inserção do filme no curso, título dessa postagem, é uma grande felicidade e imensa honra pelo reconhecimento. Para quem ainda não viu, segue o documentário que instigou o pensamento por aqui:



Rachel Hidalgo

Jornalista e produtora audiovisual


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